http://www.youtube.com/watch?v=lbSOLBMUvIE
Sob o olhar atento de minha pequena e o calorzinho do motorzinho do coração acelerado do meu pequetito, uma música familiar toca baixinho no computador enquanto assisto o filme de época que passa nessa tarde solitária... Sinto falta daquela casa que nunca morei, daquele homem que ainda não conheci, que vai preencher uma parte de mim que ainda não senti completa...
Aguardo o dia passar aos poucos imaginando como seria maravilhoso poder ter a certeza de que tudo vai dar certo, de que a vida vai ter seus altos e baixos mas que não passará em branco porque alguém vai notá-la...
Ando ultimamente mudando de gosto (preferindo salgado ao doce), ando desejando coisas que por algum motivo parece que vão me fazer feliz, mas o que é a felicidade?
Poderá alguém ser feliz sozinho? Poderá ser o homem uma ilha? Porque sempre tenho essa sensação de vazio e não consigo me sentir parte de algum lugar?
São muitas perguntas, poucas respostas, mas confesso que gosto dessa incerteza, porque ela me remete há um sentimento parecido com a ansiedade... estou ansiosa para encontrar aquilo que procuro, parece extraordinário...
O vento pode uivar na janela e levar meu coração... o que é o amor senão algo para dar sentido e não o tê-lo? Por ora segue a espera...
Palavras não são soltas, palavras são mais que palavras, desejos, sentidos, tatos, corpos, gozo, palavras penetram, palavras acusam, palavras acalmam, pertubam, encantam, seduzem... esta palavra que desconstrói, avança, passa por cima, rasga, estripa, pelo vento nos leva... pela paixão me conduz... palavras não são apenas palavras... Pela libertinagem de escrever sigo esse caminho de amor e dor, as palavras me atravessam e me tornam mais forte.
Mostrando postagens com marcador Texto por Lilian Borges. Mostrar todas as postagens
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domingo, 16 de janeiro de 2011
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
"O cheiro de sangue humano não tira seus olhos de mim"...
O Núcleo de Sociabilidade Libertária Nu-sol Fez uma aula teatro chamada "Terra", que segue o lançamento da Revista Verve 18 (que infelizmente eu não comprei...) Mais uma vez saio extasiada do tucarena... aquelas palavras que ao mesmo tempo são duras pela realidade que denunciam, também são um convite a levantar da cadeira e transformar o mundo... nada mais, nada menos... o mundo do jeito que está já não dá mais! Precisamos de um novo modelo de sociedade que não o capitalismo... de fato, o Nu-sol me inspira a tentar aprender e apreender mais sobre esse mundo tão vasto para quem sabe um dia ou até mesmo amanhã ver a tão esperada mudança...
Por enquanto o silêncio...
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Um post triste...
Tenho que escrever rápido pq estou no meu trabalho... essa semana meu computador quebrou e já faz uns dias que não posso postar, estava tão acostumada a todos os dias estar por aqui fazendo alguma reflexão que me sinto muito triste de estar longe... Por coincidência, no mesmo dia que meu computador quebrou, vivi uma história altamente trágica e nada pude expressar dela porque não tinha meu computador funcionando... ai me dei conta da importância que o blog tem pra mim... lembrei o quanto gosto de pensar em fotografias para refletir aquilo que estou escrevendo, lembrei do quanto amo escrever, me expressar e colocar para fora em forma de letras e imagens aquilo que meu pensamento vislumbra... Por enquanto só me resta esperar...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Sobre esse homem que é de longe o melhor ser humano que um dia poderei conhecer... tudo sobre meu pai.
Dia 23 de setembro deveria ser um feriado, que homenageasse esses homens lutadores que vem do nordeste do Brasil desde muito jovens em busca de um sonho... hoje vou lhes contar sobre a trajetória de um deles: meu pai. Seu nome era José, mas seu apelido era trovão, por causa da sua voz grossa e poderosa e sua altura, era literalmente um grande homem em todos os sentidos... para mim ele era o painho...
Nasceu em Pernambuco... lugar lindo que vou conhecer no mês que vem, muito pobre com uma vida difícil na roça, desde os quatro anos já soube o quanto custa o suor do trabalho e o peso da enxada... Meu pai não falava muito de como era sua infância, não era um homem de ter o costume de reclamar, lembro-me que dizia que aprendeu francês na escola e não inglês e que gostaria que nós também tivéssemos aprendido, não terminou o primeiro grau. Era canhoto e na sua época de colégio sua professora lhe aplicava a palmatória para que escrevesse com “a mão certa”, a direita, porque ele bem sentiu na pele que a esquerda nunca foi muito bem aceita na sociedade... Porquê? Na época em que Lula fundara o Partido dos Trabalhadores meu pai o conhecia e freqüentava as reuniões de sindicato, era metalúrgico, torneiro mecânico e outras coisas mais... pouco estudo, muita inteligência e sabedoria...
Sempre nos incentivou a sonhar, acreditar e realizar nossos sonhos, embora ele mesmo não comentava se havia alcançado os seus... ele era amigo de todos, não posso dizer se a reciprocidade era algo concreto, apesar da pouca idade eu achava que ele era um pouco explorado por esses supostos amigos, acho que isso foi muito significativo para que eu soubesse discernir um amigo, ou mesmo que tipo de relação pode ser ou não considerada fraternal...
Ele era um homem simples, mas tinha amizade com qualquer pessoa de qualquer classe social, sentia-se muito a vontade de bermudas e chinelos, odiava gravatas e sapatos sociais, muito brincalhão e muito amoroso...
Certa noite estávamos voltando da casa de uma tia e ele tinha ganhado uma jaqueta nova que usou pela primeira vez naquele dia, estava um frio terrível e tinha um senhor na calçada que tremia muito(estava em situação de rua) meu pai depois de dialogar com ele tirou sua jaqueta e deu ao homem que pareceu imensamente agradecido... no caminho para casa(eu devia ter uns cinco ou seis anos) fiquei me perguntando porque meu pai estava ali tremendo de frio e deixou sua blusa novinha com aquele homem que ele nem conhecia, lembro que naquele dia aprendi que o coração de meu pai era muito maior que ele próprio, descobri que eu não deveria julgar as pessoas apenas pela aparência, que cada ser humano tem uma história, que nesse país as coisas estão muito erradas...
Era um homem que apreciava as artes, apesar de não ter muito acesso, valorizava muito a cultura dos povos e nos incentivava a ter gosto pelas artes, me incentivava a desenhar, nos colocou na aula de balé, queria que eu aprendesse a tocar violão... ele sempre me incentivava a ser sempre melhor do que sou:
“Nunca deixe ninguém te fazer duvidar que você pode realizar seus sonhos”
“Nunca se permita ser medíocre, aprenda sempre, faça bem o que já faz e queira sempre ser melhor que já é”
Quando ele faleceu, eu tinha 13 anos... na noite anterior ao seu falecimento eu sonhei com ele se despedindo de mim dizendo que não podia ficar, pois já tinha feito o que devia fazer, caminhou sobre o mar em direção a uma luz amarelada num céu avermelhado como no fim da tarde... acordei tão angustiada que não queria fazer outra coisa senão ver se ele estava bem... tinha doença de chagas, e costumava dormir sentado na mesa com uma pilha de travesseiros para manter o tronco ereto , pois tinha dificuldades para respirar... ao vê-lo naquela situação, meu coração acelerou em busca de ver seu corpo se mexer e ver que ele estava respirando, fiquei feliz ao vê-lo fazer isso... fui dormir.
No período da manhã estava com uns amigos conversando no quintal e isso me deixou ainda mais tranqüila, nesta época eu estudava a tarde, quando retornei as 11hs para tomar banho para ir a escola, ele estava deitado na cama assistindo Chapolin (que ele adorava) e eu olhei para aquela gargalhada tão única e me deu um aperto no peito, porque estava me sentindo triste? Tentei afastar esse pensamento, ele chamou minha mãe e pediu que procurasse uma receita médica que ele ia passar no hospital na parte da tarde... ele não reclamava... não sabia se ele estava sentindo dor... procuramos a receita, minha mãe e eu, enquanto fazíamos isso aquele sentimento muito ruim tomava conta de mim, pedi para minha mãe deixar eu faltar na escola, pois não me sentia bem, ela concordou e fui na casa da vizinha da rua de trás para avisá-la que eu não iria... minha mãe relatou depois que eu sai, achou a receita ele a segurou e começou a chorar e faleceu ali mesmo em seus braços...
Hoje, posso dizer que não teria local melhor para isso acontecer que não fosse ali nos braços dela, o amor de sua vida... a sua “pinha”(como ele costumava chamá-la)...
Aquele homem maravilhoso, como todos esses homens maravilhosos, que sempre teve uma vida difícil, que me ensinou tantas coisas, que se tornou a voz da minha consciência, meu guia, meu herói, meu modelo, minha referência... quero homenagear esse alguém que saiu da minha vida muito cedo, mas que nunca em um milhão de anos vou esquecer o seu legado. Você foi tudo pra mim... esse grande homem da minha vida: meu pai.
Nunca vou te esquecer, sinto sua falta todos os dias, prometo sempre lhe deixar orgulhoso.
TE AMO!!!!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Desejo vermelho...

E se eu pudesse revestir o meu corpo de vermelho?
Esse tesão louco avermelhado
que me escapa no suor
de tocar teu corpo nu...
ele tem uma tatuagem no braço
faz esse doce tempero dessa vermelhidão que me consome,
o gosto salgado, que toca doce nos meus lábios
como aquele desejo antigo...
num orgasmo me desfaço
entre as suas coxas
seu peito me faz estremecer...
quero ser aquela gota safada que explora teu corpo
num desejo rubro que esquenta minha alma...
esse encantamento é apenas um devaneio...
um sonho... que reproduzo nessa figura impossível
pensando naquele que considero alcansável.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Poesia: Marias.
Por Lilian Borges
Maria vai a feira todos os dias vender flores
Os galanteadores mal sabem há quantos dias ela não come,
Mas sua beleza os encanta...
Maria José, Maria Ivanilda, Maria de Lourdes, Maria das Dores...
Dançam numa roda cotidiana
Presas, marcadas, torturadas pela dureza da vida...
Lindas e encantadoras
Mal conseguem levar o pão pra sua mesa...
Com a rosa nos cabelos
Sua maquiagem e sorriso no rosto
Carregam o peso da vida...
Ensinam a doce pureza de um sonho sem fim
Em busca de mudança...
Eu também sou Maria...
Você também é...
Todos somos.
Por Lilian Borges
Maria vai a feira todos os dias vender flores
Os galanteadores mal sabem há quantos dias ela não come,
Mas sua beleza os encanta...
Maria José, Maria Ivanilda, Maria de Lourdes, Maria das Dores...
Dançam numa roda cotidiana
Presas, marcadas, torturadas pela dureza da vida...
Lindas e encantadoras
Mal conseguem levar o pão pra sua mesa...
Com a rosa nos cabelos
Sua maquiagem e sorriso no rosto
Carregam o peso da vida...
Ensinam a doce pureza de um sonho sem fim
Em busca de mudança...
Eu também sou Maria...
Você também é...
Todos somos.
terça-feira, 27 de abril de 2010
O chôro da criança maltrapilha
no colo da mãe febril,
mãe ferida, corrompida pela dor do desespero...
PROSTITUÍDA...
A erva que acalma a dor sobre a mesa,
o copo sujo de cerveja é um reflexo de sua existência
MÍNIMA...
As crianças gritam pelo leite que acabou,
os seios murchos, a boca sêca de tanto trabalhar
e esperar pela mudança...
ESPERAR...
Do seio onde o bebê mama tem sangue fino, raso...
o cheiro do esgoto lembra que a morte está na porta
Esperando...
A depressão cotidiana, velha amiga dessa solidão sem fim
eis que a vida e o tempo cortam os laços da guerreira...
Prostituída, mínima, sua espera acabou
e ela pôde então sorrir
mas os bebês eternamente vão chorar...
no colo da mãe febril,
mãe ferida, corrompida pela dor do desespero...
PROSTITUÍDA...
A erva que acalma a dor sobre a mesa,
o copo sujo de cerveja é um reflexo de sua existência
MÍNIMA...
As crianças gritam pelo leite que acabou,
os seios murchos, a boca sêca de tanto trabalhar
e esperar pela mudança...
ESPERAR...
Do seio onde o bebê mama tem sangue fino, raso...
o cheiro do esgoto lembra que a morte está na porta
Esperando...
A depressão cotidiana, velha amiga dessa solidão sem fim
eis que a vida e o tempo cortam os laços da guerreira...
Prostituída, mínima, sua espera acabou
e ela pôde então sorrir
mas os bebês eternamente vão chorar...
"Sertaniando"
O enrugar da pele
do irmão do sertão
é como a terra que dá o trabalho
durante a sêca...
O sorrisos desdentados
de nossos velhos sertanejos
contadores de histórias...
As cantigas de roda das crianças
girando, girando, girando e sonhando...
imaginando que sabe o quê?!
Não quer um lugar ao sol,
mas uma sombra para descansar...
Levantar sem medo
como Antônio Conselheiro
brigar por uma vida melhor
com voz de Lampião.
O enrugar da pele
do irmão do sertão
é como a terra que dá o trabalho
durante a sêca...
O sorrisos desdentados
de nossos velhos sertanejos
contadores de histórias...
As cantigas de roda das crianças
girando, girando, girando e sonhando...
imaginando que sabe o quê?!
Não quer um lugar ao sol,
mas uma sombra para descansar...
Levantar sem medo
como Antônio Conselheiro
brigar por uma vida melhor
com voz de Lampião.
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